As conquistas da Cloud Computing



 
“Tudo que é sólido se desmancha no ar.”
 Karl Marx






Boa noite, gestores!


Em um artigo anterior, havia feito alguns comentários sobre os desafios do setor de computação em nuvem que, embora seja uma tecnologia nova e atraente, ainda é vista como um modismo charmoso e elegante, mas que acarreta receio quando se pensa em investir pesado em todas as suas possibilidades. Os desafios para superar esse quadro geral se focam em três pontos: a insegurança quanto à privacidade e proteção dos dados em nuvem, o cenário precário da conectividade brasileira, que pode deixar uma empresa sem acesso a seus próprios dados; e a falta de informação do conceito em si, que, agregado às disparidades regionais do Brasil, criam um entrave cultural que bloqueia mesmo a procura por um uso mais efetivo da cloud computing.

Porém, se existem esses problemas para o desenvolvimento tecnológico de plataformas de armazenamento no Brasil, há também três pontos muito importantes a serem levados em conta por todos os gestores e investidores na hora de decidir até que ponto a nuvem deve ganhar solidez em nossos investimentos.

O primeiro ponto trata-se do fato que a nuvem não é um modismo ou uma experimentação, mas uma realidade. Que essa realidade não seja 100% nossa não significa que não seja relevante, pois um estudo feito pela Frost & Sullivan demonstra que 45% das empresas hoje utiliza a cloud computing em algum nível de resolução de problemas. Acreditamos que esse número deve crescer, não apenas pela credibilidade da tecnologia em si, mas por força da própria mudança de softwares e hardwares que assimilaram a computação em nuvem como uma realidade. A exemplo disso, a Microsoft lançou a última versão de seu Microsoft Office não com um suporte para o armazenamento em nuvem, mas 100% integrada ao conceito. Com o tempo, investimentos em hardware de armazenamento serão reduzidos nos computadores pessoais e de escritório, dando ênfase a HDs com menor espaço, para conter em si apenas os softwares de acesso à rede, enquanto os softwares de produtividade não estariam no armazenamento físico dos HDs (Hard Disk), mas hospedados diretamente em nuvem. O resultado disso serão aparelhos mais leves, tecnicamente mais baratos, e com pacotes de serviços contratados conforme a demanda. Independente disso, a expansão do conceito de nuvem torna-se cada vez mais efetiva em setores como o de games que, em breve, dispensará a mídia física de jogos para a locação ou assinatura de jogos permanentemente. Aplicativos de uso familiares como o citado Office em breve tornarão o conceito de nuvem algo habitual na maioria dos contextos regionais brasileiros.

Servidores de Cloud Computing
Além do mais, empresas gigantes como o Google vêm fazendo investimentos exorbitantes para tornar a nuvem onipresente. Apenas para contextualizar o leitor, o documentário O Jeito que o Google Trabalha, nos mostra que a empresa teria investido em uma cidade inteira para construir seus servidores, além da proposta da construção de silos em alto mar, que transforma as ondas em energia contínua que alimenta os servidores de armazenamentos de dados em nuvem. Percebe-se que a realidade da nuvem não encontra-se limitada ao que nós acreditamos que podemos fazer com ela, mas sim ao que os idealizadores da tecnologia concebem que ela possa fazer conosco.

O segundo ponto diz respeito à desmitificação da ideia de insegurança que a cloud computing oferece em relação à proteção de dados. A grande maioria das pessoas faz uso online dos bancos e movimentam suas contas pela internet. Acreditar que os bancos, por sua tradição, oferecem mais segurança do que os novos provedores de armazenamento é uma falácia. Isso porque a internet, por mais que se procure segurança, sempre possui a possibilidade de invasões, a exemplo do que o grupo Anonymous mostrou, tempos atrás. Os sistemas de criptografia, embora complexos, possuem limitações acerca do próprio processamento das máquinas. Para uma startup que inicia seus negócios em cloud computing é fundamental reforçar o aspecto de segurança de dados em suas campanhas de marketing, abordando, de forma simples, mas crível, seu diferencial em segurança, um sistema de criptografia diferente, mas funcional, sistemas de backups inteligentes e conferir uma atenção especial ao apresentar esse aspecto aos clientes em seus encontros iniciais, provando que a nuvem pode ser tão sólida quanto a internet nos permite.

O terceiro ponto, relativo à conectividade, é um ponto de crítica forte e que transcende, em certo aspecto, aquilo que as empresas de tecnologia em nuvem podem fazer. Esse é um problema do Brasil, devido às más implementações de redes 3G e ao atraso consequencial de uma implantação sólida da rede 4G, como abordamos no artigo anterior. Existem, no entanto, soluções que já estão sendo utilizadas por empresas de cloud computing, sendo uma delas a implantação de fibra ótica exclusiva para garantir o acesso 24 horas à rede. Esse recurso, embora não seja 100% funcional, torna a nuvem onipresente, pelo menos no interior da empresa. Em relação aos dispositivos móveis, porém, o problema persiste e depende de um bom desempenho das empresas de telefonia, ainda responsáveis por nosso acesso à tecnologia da rede. Não me parece, entretanto, que somente empresas de telefonia devam ser provedoras de internet, pois algumas redes de TV a cabo oferecem serviço de acesso à internet e contratam empresas de telefonia por fora para montar pacotes também com rede telefônica. É possível que empresas startups voltadas exclusivamente para a oferta de acessibilidade à nuvem consigam um desempenho melhor, por serem especializadas nesse segmento, e certamente, com a expansão da tecnologia em nuvem, haveria demanda para empresas com esse propósito.

Além disso, o fato da cloud computing ser uma realidade que cada vez mais mudará o conceito que temos de solidez de armazenamento, a própria força da demanda pressionará as empresas e o governo a trabalharem juntas no sentido de melhorar nossa acessibilidade. Isso, ao menos, é uma esperança à longo prazo. Portanto, uma empresa que tanto reforça a realidade da cloud computing como solução de problemas empresariais complexos, que evidencia um amplo processo de segurança de dados e que demonstra investir em soluções alternativas de acessibilidade consegue combater as principais fontes de insegurança no investimento da tecnologia em nuvem.

Acreditamos que não se trata de questionar se devemos ou não investir na computação em nuvem, mas sim quais os setores que mais devem receber investimentos para que a nuvem ganhe mais solidez e credibilidade e, dessa forma, cumpra o propósito a que realmente se presta.





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